ARARAS, 2023-2025
    Impressão fotográfica sobre papel.

    A série Araras parte do imaginário de que corpos são territórios ocupados, que pensam e se expressam como ecossistemas vivos, atravessados por sociedades, culturas e histórias. As imagens confabulam sobre o retorno de raízes indígenas e a potência dos corpos-territórios que inventam artesanias de sobrevivência. Como existir, quando insistem em dizer que nunca existimos?

    No cultivo do pensamento fértil ancestral, incorporado aos movimentos cotidianos, sobrevivemos em transe: retomando territórios, identidades e modos de vida. Encontramos nas brechas da cidade e nos gestos de comunidade os lugares de busca, de experimento, de autocuidado, de preservação da criação e da imaginação. Este projeto se constrói como expansão de cosmologias da imagem, propondo como espaços de reflorestamento, para a saúde vital das memórias.

    Em Futuro Ancestral, Ailton Krenak escreve: “não podemos nos render à narrativa de fim de mundo que tem nos assombrado, porque ela serve para nos fazer desistir de nossos sonhos, e dentro dos nossos sonhos estão as memórias da Terra e de nossos ancestrais”. Nesse sentido, pensamos que a produção fotográfica no agora, entre resistências urbanas e atravessamentos periféricos, pulsa na força dos afetos que lutamos por manter vivos, na feitura artesanal dos próprios adornos, nas pinturas de urucum e jenipapo que demarcam nossos corpos. Assim, seguimos fortalecendo sonhos-ancestrais, devolvendo às imagens a capacidade de imaginar futuros.


TAYNÁ URÀZ.         2024.              brasil.