LUZ DA MANHÃ, 2022-2023

  
A pesquisa de "Luz da manhã" se acendeu na Residência Laboratório de Imagem de 2022, parceria entre o Observatório de Favelas e ao Instituto Moreira Salles, para feitura do E-book disponível no site do IMS (segue o link abaixo), posteriormente se expandiu como tema da minha monografia e também como minha primeira exposição individual selecionada no programa "Nova Fotografia" pelo Museu de imagem e Som de São Paulo em 2023.

E-BOOK (pág 98-99) DISPONÍVEL AQUI:

https://issuu.com/ims_instituto_moreira_salles/docs/laboratorio_de_imagens_2022-2023-10-24_f_1_





    "Luz da Manhã é o título da série de obras que a artista Tayná Uràz apresenta para o público do Museu da Imagem e do Som. É uma metáfora para falar de memória, de apagamento, de transformação e ficcionalização. Ao desejar expandir uma memória invisível-ancestral, seria possível trabalhar sobre fotografias enfrentando o que elas não podemnos mostrar? A memória é uma entidade ambígua, está a mercê de diferentes repetições pelos contadores de histórias.
    Com os deslocamentos de sua formação familiar, Tayná se deparou com um emaranhado entre as sobreposições delembranças, os esquecimentos, desaparecimentos - transformando esses estados de falta em processo de pesquisa. Sepor um lado, não havia uma memória visual, física, por outro vivia nela uma memória fora do campo do visível, mas nosensível, no mistério. E como cultivar o mistério?A intimidade de "Luz da manhã" nasce na relação com seu próprio nome de origem indígena escolhido por sua mãee se refere aos astros celestes, à estrela da manhã. (...)
    Pela intenção à prática da transformação, sua busca por imagensnunca vistas cruza a fronteira do particular. A artista apresenta sua exposição por meio de um dispositivo - para Foucault, a função do dispositivo é ser uma estratégia de pensamento – é essa força de pensar que revela com seu processo de ficcionalização. Intervindo arquivos, "autoficciona" as andanças de seus ancestrais por esse território, trabalha ainda sobre a terra para cultivar suas raízes, semeando suas memórias. Muda a experiência do tempo, as intervenções estabelecem um kairós – o momento eternizado, não medido pelochronos e sim pelo afeto. É por meio desse sentimento que seu anseio de pertencimento se completa ao preencherlacunas e evidenciar o apagamento. Como ela declara usar o dispositivo para ressignificar, ritualizar para trazer umaconsciência e cultuar a imagem e a não-imagem, criando ao mesmo tempo seu lugar na ausência e a afirmação de sua presença."

Texto curatorial Museu da Imagem e do Som (SP)
Nancy Betts.




  "Rastrear suas raízes mais profundas é um exercício que se faz quando se decide pela hora de enfrentar de fato as camadas de soterramento que a tentativa de apagamento depositou sobre os corpos coletivos."   (Jaider Esbell) ✷





TAYNÁ URÀZ.         2024.              brasil.