NOVA FOTOGRAFIA 2023
MUSEU DE IMAGEM E SOM DE SÃO PAULO

"Luz da manhã" foi selecionada pelo projeto de exposições individuais anuais "Nova Fotografia" do MIS-SP em 2023, com produção Vannessa Rodrigues e acompanhamento curatorial de Nancy Betts. 



Texto curatorial: 

        "Luz da Manhã é o título da série de obras que a artista Tayná Uràz apresenta para o público do Museu da Imagem e do Som. É uma metáfora para falar de memória, de apagamento, de transformação e ficcionalização.
        Ao desejar expandir uma memória invisível-ancestral, seria possível trabalhar sobre fotografias enfrentando o que elas não podem nos mostrar? A memória é uma entidade ambígua, está a mercê de diferentes repetições pelos contadores de histórias.
        Com os deslocamentos de sua formação familiar, Tayná se deparou com um emaranhado entre as sobreposições de lembranças, os esquecimentos, desaparecimentos - transformando esses estados de falta em processo de pesquisa. Se por um lado, não havia uma memória visual, física, por outro vivia nela uma memória fora do campo do visível, mas no sensível, no mistério. E como cultivar o mistério?
        A intimidade de "Luz da manhã" nasce na relação com seu próprio nome de origem indígena escolhido por sua mãe e se refere aos astros celestes, à estrela da manhã. (...) Pela intenção à prática da transformação, sua busca por imagens nunca vistas cruza a fronteira do particular. A artista apresenta sua exposição por meio de um dispositivo - para Foucault, a função do dispositivo é ser uma estratégia de pensamento – é essa força de pensar que revela com seu processo de ficcionalização. Intervindo arquivos, "autoficciona" as andanças de seus ancestrais por esse território, trabalha ainda sobre a terra para cultivar suas raízes, semeando suas memórias.
        Muda a experiência do tempo, as intervenções estabelecem um kairós – o momento eternizado, não medido pelo chronos e sim pelo afeto. É por meio desse sentimento que seu anseio de pertencimento se completa ao preencher lacunas e evidenciar o apagamento. Como ela declara usar o dispositivo para ressignificar, ritualizar para trazer uma consciência e cultuar a imagem e a não-imagem, criando ao mesmo tempo seu lugar na ausência e a afirmação de sua presença."  

Nancy Betts.





TAYNÁ URÀZ.         2024.              brasil.